sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Os segredos climáticos de Vênus

Ilustração feita pela Agência Espacial Européia mostra relâmpagos em Vênus - ESA

Similar à Terra em tamanho e massa, Vênus compartilha também um passado comum com o planeta vizinho e, a se cumprirem os piores prognósticos para o clima terrestre, um futuro infernal. Novos dados divulgados pela Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês) na quarta-feira revelam que Vênus era um planeta gêmeo da Terra, contando, inclusive, com oceanos, antes de se transformar em um ambiente seco com o acúmulo de CO2 na atmosfera e a perda de toda a água. Os dados e imagens foram enviados pela sonda Venus Express.

- É verdadeiramente surpreendente o quanto Vênus é agora tão diferente da Terra - disse Fred Taylor, cientista do projeto Venus Express, na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.

Lançada em 2005, a missão tem como objetivo esclarecer, justamente, por que um planeta tão similar à Terra, em sua origem, teria evoluído de forma a se tornar um grande e inóspito deserto seco e de altas temperaturas.

- Esta é a pergunta de um milhão de dólares - afirmou Taylor, que descreve agora Vênus como "um gêmeo da Terra, mas separado ao nascer".

Há séculos, Vênus representa um grande mistério para a ciência. Apesar de ser o planeta mais próximo da Terra, demonstrou ser extremamente difícil de estudar, uma vez que está permanentemente coberto de nuvens que obscurecem a visibilidade da sua superfície.

Os dados compilados pela sonda e apresentados na revista "Nature" revelaram algumas pistas sobre a atmosfera e o clima de Vênus - que registra temperaturas de até 450 graus Celsius e tem pressão atmosférica quase cem vezes superior à da Terra.

O planeta mais brilhante do Sistema Solar é coberto por uma espécie de capa atmosférica quente de aproximadamente 100 quilômetros de espessura. Vênus é duramente atingido por ventos solares e segue perdendo íons de hidrogênio, oxigênio e gelo.

Esse mundo seco, inóspito e incrivelmente quente é castigado ainda por raios e tem lagos de rocha fervente. O planeta possui imensas depressões com rocha líquida, a uma temperatura de até 500 graus Celsius. A missão da Venus Express termina oficialmente em 2009, mas pode ser prorrogada até 2010.

A Venus Express vem fornecendo uma enorme contribuição para a compreensão de todos fenômenos do planeta, mas não desvendou todos os seus mistérios. Uma pergunta-chave que os cientistas gostariam de ver respondida é até que ponto estão ativos os vulcões venusianos.

- A contribuição energética dos vulcões para a atmosfera pode ser enorme. O fato de não sabermos precisar isso deixa uma enorme lacuna na nossa compreensão do clima - comentou Taylor.

http://www.esa.int/SPECIALS/Venus_Express/

Juan Gelman - Premio Cervantes 2007

Poeta nacido en Buenos Aires (1930) , en el barrio de Villa Crespo.

Su primera obra publicada, Violín y otras cuestiones, prologada entusiastamente por otro grande de la poesía, Raúl González Tuñon, recibió inmediatamente el elogio de la crítica.

Considerado por muchos uno de los más grandes poetas contemporáneos, su obra delata una ambiciosa búsqueda de un lenguaje trascendente, ya sea a través del -realismo crítico- y el intimismo, primeramente, y luego con la apertura hacia otras modalidades, la singularidad de un estilo, de una manera de ver el mundo, la conjugación de una aventura verbal que no descarta el compromiso social y político, como una forma de templar la poesía con las grandes cuestiones de nuestro tiempo.

Fue obligado a un exilio de doce años por la violencia política estatal, que además le arrancó un hijo y a su nuera, embarazada, quienes pasaron a formar parte de la dolorosa multitud de -desaparecidos-.

En 1997 recibió el Premio Nacional de Poesía.

Su obra ha sido traducida a diez idiomas. Reside actualmente en México, aunque -Volver, vuelvo todos los años, pero no para quedarme. La pregunta para mí no es por qué no vivo en la Argentina sino por qué vivo en México. Y la respuesta es muy simple: Porque estoy enamorado de mi mujer, eso es todo-.

Perdonando tamaño romanticismo, la ciudad de Buenos Aires lo honró recientemente con el título de ciudadano ilustre.


Oración de un desocupado

Padre,
desde los cielos bájate, he olvidado
las oraciones que me enseñó la abuela,
pobrecita, ella reposa ahora,
no tiene que lavar, limpiar, no tiene
que preocuparse andando el día por la ropa,
no tiene que velar la noche, pena y pena,
rezar, pedirte cosas, rezongarte dulcemente.
Desde los cielos bájate, si estás, bájate entonces,
que me muero de hambre en esta esquina,
que no sé de qué sirve haber nacido,
que me miro las manos rechazadas,
que no hay trabajo, no hay,
bájate un poco, contempla
esto que soy, este zapato roto,
esta angustia, este estómago vacío,
esta ciudad sin pan para mis dientes, la fiebre
cavándome la carne,
este dormir así,
bajo la lluvia, castigado por el frío, perseguido
te digo que no entiendo, Padre, bájate,
tócame el alma, mírame
el corazón,
yo no robé, no asesiné, fui niño
y en cambio me golpean y golpean,
te digo que no entiendo, Padre, bájate,
si estás, que busco
resignación en mí y no tengo y voy
a agarrarme la rabia y a afilarla
para pegar y voy
a gritar a sangre en cuello
de "Violín y otras cuestiones"

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

América do Sul - As veias abertas

São três conflitos diferentes, mas com origens similares e uma lição importante para o Brasil. Na crise mais vistosa, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o rompimento das relações com o governo colombiano. "Enquanto o presidente Uribe for o presidente da Colômbia, não terei nenhum tipo de relação nem com ele nem com o governo da Colômbia", declarou Chávez, em boa cobertura do enviado Lourival Sant’Anna, de O Estado. O pretexto é o fato de a Colômbia ter descartado a participação de Chávez na negociação pela liberação de seqüestrados políticos. Pura cortina de fumaça. Sob ameaça real de perder o referendo constitucional de domingo, Chávez está buscando um inimigo externo para reunificar em torno de si o voto nacionalista. E a Colômbia é um alvo perfeito pelas históricas tentativas (e fracassos) de Bogotá em criar um país úni co no norte da América do Sul.

A segunda crise é da Bolívia, também envolvida numa polêmica reforma constitucional. Uma greve geral paralisou ontem os departamentos de Santa Cruz e e Chuquisaca, os mais ricos do país e centros da oposição ao governo de Evo Morales. Em Tarija, Beni, Pando, Cochabamba, a greve se concentrou apenas nos centros urbanos, mostra o enviado especial de O Globo Ricardo Galhardo. A paralisação foi um protesto contra a aprovação, no sábado, de um projeto de Constituição sem a participação dos parlamentares opositores. O país está dividido. Os departamentos produtores de gás natural na fronteira com o Brasil querem mais autonomia, talvez até a criação de um novo país. Evo Morales quer a distribuição do dinheiro do gás pelo país, especialmente nos seus redutos eleitorais indígenas. No fim de semana, quatro pessoas morreram em confronto com a polícia em um protesto em Sucre, a cidade que até a seman a passada era o palco dessas reuniões da constituinte. Longe de Sucre e dos oposicionistas, os deputados ligados a Evo aprovaram a retirada de verbas e expropriação de terras dos Estados produtores de gás.

Por último, o presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou ontem que colocará seu cargo à disposição em apoio aos trabalhos de uma Assembléia Constituinte com "plenos poderes". Antecipando-se ao início dos trabalhos da Constituinte, o Congresso equatoriano declarou que entrará em recesso por um mês. "É agora ou nunca, se dessa vez não conseguirmos que o país mude radicalmente de maneira pacífica, na próxima vez o povo vai querer fazer mudanças de formas violentas", disse o presidente.

Agora, a lição. A diplomacia brasileira finge que o país é um líder regional, que merece um lugar nas negociações mundiais, mas o que está fazendo para evitar essa crise geral no continente? A idéia de não-intervenção no assunto dos vizinhos é muito bonita quando os países estão em crises digamos “normais”, mas as três de hoje têm reflexos diretos no futuro da democracia do continente. Quem garante o abastecimento de gás no Brasil se houver um a guerra civil na Bolívia? E por que o Brasil não tenta mediar a crise entre Bogotá e Caracas? Qual a posição do “líder” Brasil com a óbvia interferência do chavismo no Equador? Líderes tem que liderar. E não se omitir.

Thomas Traumann
http://www.ofiltro.com.br/

Exposição na casa de García Lorca revela intimidade do poeta


A casa de Federico García Lorca em Granada, no sul da Espanha, foi reaberta nesta semana com uma exposição que mostra a intimidade de um dos poetas mais famosos da língua espanhola e autor de peças teatrais como Bodas de Sangue, Yerma e A Casa de Bernarda Alba.

A mostra Everstill/Siempre Todavia (Sempre Ainda, em tradução livre) revela a visão de 31 artistas plásticos de diversos países sobre a obra e a vida do poeta e marca a largada para os eventos de 2008, ano de celebração do centenário de nascimento de Lorca.

Entre os trabalhos em exposição estão duas peças da artista brasileira Rivane Neuenschwander.
Segundo o curador da mostra, o suíço Hans Ulrich Obrist, o objetivo do projeto é recriar o universo do poeta, formando um elo entre a literatura e as artes plásticas.

Os artistas passaram dias na casa do escritor para encontrar a inspiração e entender o ambiente de Lorca.

“A intimidade de uma casa é bem diferente da de um museu. Por isso é tão sugestiva para os artistas. Facilita um diálogo sutil com o personagem e o lugar”, diz Obrist.

Passeio pelos cômodos

O trajeto da exposição é um passeio por todos os cômodos da casa, que foi residência da família Lorca desde 1926 até o início da Guerra Civil espanhola, em 1936, quando o poeta foi assassinado por nacionalistas, acusado de subversão - Lorca simpatizava com os socialistas e era homossexual.

Os artistas britânicos Gilbert & George deitaram-se na cama do escritor e decidiram se fotografar nela para criar a peça Na cama com Lorca.

Debaixo da escada, a australiana Koo Jeon-a recriou a roupa preferida do poeta, um uniforme de marinheiro.

Um quadro da espanhola Cristina Iglesias decora a sala de piano, onde também fica o tapete azul da americana Sarah Morris, feito por livros biográficos de escritores que ela associou a Lorca, como Fernando Pessoa, Reinado Arenas e Marguerite Duras.

As peças de Rivane Neuenschwander estão no escritório. Uma folha branca de papel deixada sobre a máquina de escrever do poeta evoca o silêncio da ausência de Lorca.
A outra obra da brasileira é uma colcha bordada com pássaros em alusão à liberdade, segundo o curador da mostra.

A exposição é acompanhada por uma trilha sonora. Canções compostas pelo músico de flamenco espanhol Enrique Morente são ouvidas em todos os cômodos da casa.

A mostra estará em Granada até maio, quando terá uma segunda fase com novos artistas, e seguirá para Madri em setembro de 2008.

Anelise Infante ( de Madrid)
BBC Brasil


Siempre Todavía - Everstill. Artistas contemporáneos en la Huerta de San Vicente

Sala de exposiciones de la Huerta de San Vicente
Primera fase: desde 27 de noviembre de 2007
Segunda fase: desde mayo de 2008
Tercera fase: desde septiembre de 2008 en la Residencia de Estudiantes en Madrid

La Fundación Federico García Lorca en colaboración con la Sociedad Estatal de Conmemoraciones Culturales (SECC) ha invitado a Hans Ulrich Obrist, Director de Proyectos Internacionales de la Serpentine Gallery de Londres, a comisariar su primera exposición en España en la Huerta de San Vicente. Este primer proyecto de Obrist reúne a más de veinte artistas nacionales e internacionales, y continúa una serie de exposiciones en casas de personalidades diversas como la del arquitecto Luis Barragán en México, la de Sir John Soanes en Londres, o la de Friedrich Nietzsche en Sils Maria.

Han confirmado su participación en el proyecto algunos de los artistas más prestigiosos de la escena internacional: John Armleder, John Baldesari, Leonora Carrington, Tacita Dean, Gilbert & George, Dominique González-Foerster, Cerith Wyn Evans, Roni Horn, Anri Sala, Philippe Parreno, Douglas Gordon, Enrique Morente, Pedro Reyes, Trisha Donnelly, Sarah Morris, Franz West, Cy Twombly, Cristina Iglesias, Devendra Banhart, Bestué y Vives, Paul Chan, Democracia, John Giorno, Koo Jeong-a, Arto Lindsay, Jorge Macchi, M & M, Rivane Neuenschwander, Pere Portabella y Enrique Vila-Matas.

Desde hace un año los invitados a participar en el proyecto están viajando a Granada para poder visitar la Casa-Museo Federico García Lorca y encontrar la inspiración que les ayude a concebir sus obras. Durante estos fines de semana se trata de que los artistas se impregnen de la obra de Lorca, su vida y la ciudad que le vio crecer para que más tarde tengan la documentación necesaria para desarrollar su proyecto. La gran variedad de artistas invitados permite que algunos se interesen más por aspectos biográficos, otros por aspectos histórico-políticos y la gran mayoría poéticos.

La exposición se desarrolla en tres fases: la primera se inaugurará en la Huerta de San Vicente el 24 de noviembre de 2007; la segunda fase tendrá lugar también en la Huerta a partir de mayo de 2008, y en septiembre de ese mismo año se inaugurará la tercera fase en la Residencia de Estudiantes de Madrid. Todas las obras que produzcan los artistas se reunirán en un libro que se presentará cuando la muestra acuda a Madrid.

Mantener el proyecto en evolución constante y lo más vivo posible ha sido una de las prioridades del comisario, Hans Ulrich Obrist. La presentación del proyecto en distintas fases cumple este propósito. El público que visite la primera fase sabrá que la exposición que contempla no es la definitiva, que está creciendo y adoptará formas distintas en las fases sucesivas. Tanto las partes involucradas como los medios de comunicación estarán informados del progreso del proyecto.

Hans Ulrich Obrist nació en Zurich, aunque en la actualidad vive y trabaja en París. Es co-director de Exposiciones y Programas de Proyectos Internacionales de la Serpentine Gallery de Londres. En 1993 fundó el Museo Robert Walser y comenzó a dirigir el programa Migrateurs del Musée d’Art Moderne de París, donde es ahora comisario de arte contemporáneo. Desde 1997 ha sido editor jefe de la publicación de arte Point d’Ironie. Desde 1991 ha sido comisario de numerosas exposiciones como Manifiesta I, en Rotterdam, o Utopia Station, en la Bienal de Venecia. Recientemente ha ejercido de co-comisario para el Musée d’Art Moderne de París en exhibiciones monográficas de Olafur Eliasson, Philippe Parreno, Steve Mc Queen, Jonas Mekas, Yoko Ono y Anri Sala. También ha colaborado como editor de las obras escritas de Gerhard Richter, Louise Bourgeois, Gilbert y George, Maria Lassnig y Leon Golub.

¿Por qué contra Chávez?

El problema con Hugo Chávez no son sus veleidades marxistas, sino su desaforada fiebre narcisista. Han pasado ya 18 días desde que el Rey lo dejo planchado en la Cumbre Iberoamericana y el Gorila Rojo no se ha recuperado. Se quedó pasmado y anda diciendo que no oyó el sonoro «¿por qué no te callas?» y que suerte tuvo Juan Carlos, porque él es tremendo.
Padece eso que los franceses denominan «el pensamiento de la escalera»: Lo que se te ocurre que debías haber hecho arriba, cuando vas bajando y es demasiado tarde.

Vamos a tener tabarra Chávez para rato y da igual lo que digan el presidente Zapatero, el ministro de Exteriores Moratinos, la secretaria para Iberoamérica Trinidad Jiménez o el diplomático Bernardino León. El tipo, más presumido que un quinto mal hecho, seguirá soltando lindezas muchos meses.

Si no tuviera a su servicio los pozos de petróleo, quizá se podrían pasar por alto sus bravatas, pero no es así. Chávez es un payaso, pero de los peligrosos, porque tiene recursos financieros y se ha buscado amigos poco recomendables.

Mal hace el Gobierno ZP al considerar inocuos fuegos de artificio las vinculaciones del Gorila Rojo con el iraní Ahmadineyad, su súbita vocación nuclear, su apoyo a los narcoterroristas colombianos y sus tejemanejes con el nicaragüense Ortega o el boliviano Morales.
Tengo la impresión de que el «¿por qué no te callas?», marcará un antes y un después en la peripecia de Chávez. La buena suerte no es eterna y comienza a haber indicios de que las cosas no le van como antes.

Como atestiguan los periodistas de RCTV, el Gorila Rojo ha retorcido la ley para cerrar la boca a los disidentes, pero hasta ahora no ha necesitado hacer trampas muy gordas para imponerse en las urnas. Ha ganado por la combinación implacable de la aritmética demográfica y la televisión.
Este domingo hay un referéndum en Venezuela, con el que Chávez pretende consagrarse como caudillo vitalicio y las encuestas, por primera vez, no le son favorables. En cualquier caso, tanto si gana como si pierde, ha llegado el momento de que las democracias occidentales -incluida España- dejen de ser complacientes con semejante facineroso.

Alfonso Rojo
www.abc.es

Contra el aborto


El desmantelamiento de una red de clínicas de Barcelona en las que se practicaban abortos ilegales ha puesto al descubierto toda una industria homicida que debería avergonzar a una sociedad desarrollada. La dimensión del problema va más allá de lo puramente legal, aunque ha sido gracias a una denuncia y a la actuación de la Fiscalía y del juzgado instructor por lo que se han podido frenar unos horrores más propios de un campo nazi de exterminio. Los detenidos están imputados de realizar abortos sin amparo de ninguno de los supuestos justificados legalmente tras la reforma del Código Penal en 1985. Los responsables de estas clínicas habrían llegado a matar con técnicas homicidas espeluznantes -como la decapitación- fetos de más de 32 semanas, cuyos restos eran luego triturados y vertidos por desagües para borrar todo rastro. Ciertamente, estos actos delictivos presentan una vertiente legal y demuestran hasta qué punto la ley de 1985 se hizo con suficiente ambigüedad -no reparada por la sentencia del Tribunal Constitucional- para, de hecho, implantar en España un aborto libre, que sería absolutamente contrario al artículo 15 de la Constitución.

Pero, aparte del debate sobre la insuficiencia de la ley y la inexistencia de controles administrativos sobre estas clínicas abortistas, hay una cuestión de fondo que la hipocresía de la sociedad actual mantiene en silencio cómplice: el aborto es la muerte dolosa de un ser humano con métodos cruentos. No hay razón científica ni legal para negarle al feto la condición humana y, por tanto, para negar a su vida el mismo nivel de respeto y protección que a un nacido. La cirugía prenatal y la pediatría neonatal están demostrando la viabilidad de fetos de pocos meses, lo que anula gran parte de las excusas médicas para matarlos y ratifica algo tan obvio como que el embarazo no es más que la primera fase del desarrollo humano y no justifica la confiscación de su vida por un supuesto derecho de la madre a su propio cuerpo. Al suyo, es posible; pero no al de su hijo. Por otro lado, el daño «psíquico» que puede causar el embarazo no es más que una coartada que sirve para revestir de legalidad la mera voluntad de la mujer para abortar sin causa.

En España se practican al año casi 100.000 abortos. Es una cifra terrible, pero también lo es la pasividad con que la recibe la sociedad, porque encierra una concepción nihilista de la vida y hace cínica la proclamación de los Derechos Humanos -más todavía el furor ecologista- porque entre ellos no se encuentra el único que da fundamento a todos los demás, que es el derecho de todo ser humano concebido a seguir viviendo. En la batalla de las ideas, la primera sigue siendo la defensa de la vida humana.

Deutsche Grammophon web shop


El sello discográfico Deutsche Grammophon, uno de los grandes especialistas en música clásica, se ha convertido en la primera compañía del género en abrir una tienda en internet, poniendo así a la venta la descarga de cerca de 2.400 álbumes en formato MP3 y a la misma calidad que el CD. Su portal permite adquirir la música del sello en 42 países, abriendo mercados donde no están presentes otras tiendas más generalistas como iTunes o Amazon MP3.

El portal dgwebshop.com es una tienda online en la que se puede descargar música desde hoy en 42 países, lo que abre mercados a Deutsche Grammophon, que pertenece al grupo Universal Music Group, a países en los que todavía no están disponibles plataformas tan conocidas como iTunes, como China e India, Latinoamérica, Sudáfrica y Europa central y del Este, Rusia incluida, según ha informado el propio sello discográfico.Casi 2.400 álbumes, en formato MP3 de máxima calidad, están ya disponibles para descargar con una velocidad de 320 kilobits por segundo.Entre lo más destacable de esta tienda en la red figuran curiosidades como que casi 600 álbumes, que ya no se encuentran en CD en el mercado, se han convertido a formato MP3 para su descarga en la tienda, y más adelante se irán añadiendo otros. El objetivo, según Deutsche Grammophon, es digitalizar todas las grabaciones importantes del sello y ofrecerlas como descargas, poniendo a disposición del gran público auténticos tesoros de la historia de la música.Las descargas se pueden pagar en dólares estadounidenses y en euros, dependiendo de la región del mundo en la que se resida, con los precios habituales en el mundo del comercio por Internet. Así, por ejemplo, los temas con una duración de hasta siete minutos cuestan 1,29 euros; los álbumes cuestan, por lo general, 10,99 y, con el libreto, 11,99, lo que incluye la portada del CD, fotografías y más documentación detallada.

LD(EFE)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Enfim, o livro 2.0

A biblioteca de Alexandria, no Egito, era considerada o maior centro cultural do mundo antigo. Seu acervo incluía mais de 500 mil pergaminhos, uma quantidade fabulosa para a época. Diz a lenda que Ptolomeu III, governante do Egito, exigia que todos os estrangeiros em visita à cidade deixassem qualquer tipo de texto com os escribas oficiais, que copiavam tudo para a coleção da biblioteca. Hoje em dia, esse método seria considerado truculento e desnecessário. Desde que a Amazon foi inaugurada, em 1995, ficou ridiculamente fácil achar qualquer livro, em qualquer idioma. Agora, a nova idéia da Amazon, encabeçada por seu CEO, Jeff Bezos, é revolucionar o próprio livro. Na semana passada, ele apresentou o Kindle, um leitor digital que tem jeito de ser um primo distante do iPod. Só que, em vez de CDs, permite que o usuário carregue vários livros no bolso.

O desafio do Kindle não é simples. Trata-se de desbancar uma das invenções humanas mais perfeitas. O livro é uma tecnologia com uma interface simples (ninguém precisa de ajuda para entender como se vira uma página), vem em diversos tamanhos, garante imersão total do usuário (se o texto for bom) e não usa pilhas. “Se você quer fazer algo que concorra, ele tem de ser tão bom quanto o livro em vários aspectos”, diz Bezos. “Mas também procurar por coisas que os livros normais não conseguem fazer.”

É exatamente isso que o Kindle tenta entregar. A tela tem aproximadamente 15 centímetros, mas não emite luz como celulares e computadores de bolso. Ela usa uma tecnologia conhecida como “E Ink”, ou tinta eletrônica. Ela faz com que partículas se juntem para criar letras, simulando o papel de um modo mais realista que as telas de computador. O Kindle tem capacidade para cerca de 200 livros e sua memória pode aumentar por meio de cartões. Ele também pode ser conectado à internet para baixar novos livros, por meio de uma tecnologia usada também em celulares. É aí que entra a aposta da Amazon. Qualquer usuário do Kindle pode comprar cerca de 90 mil títulos no site da empresa. O download dura menos de um minuto, e o preço não passa dos US$ 10. Também é possível assinar jornais e blogs, como The New York Times ou o blog de tecnologia Boing-Boing (um dos líderes mundiais de audiência). Tudo isso por US$ 399.

Navegar pela web não é um ponto forte do produto. As páginas não carregam direito, pois o aparelho não consegue mostrar gráficos muito bem. Nada de YouTube nem fotos ou animações. Outra coisa que ainda não parece bem resolvida são as limitações impostas por direitos autorais. Você pode emprestar um livro “analógico” para um amigo. Pode até mesmo vender um livro usado pela Amazon. Mas os e-books (livros eletrônicos) só podem ser arquivados. Nada de emprestar, duplicar ou revender. Não é possível nem mesmo copiar um parágrafo para mandar para alguém por e-mail. Nesse quesito, os analógicos ainda estão na frente.

Mesmo que o Kindle não seja um sucesso, é possível ver nele o futuro digital dos livros. A idéia de cortar árvores, gastar combustível fóssil e emitir gás carbônico para criar e imprimir papel provavelmente será considerada antiecológica – talvez até bárbara – para a sociedade nas próximas décadas. Quem comandará tal revolução? Com o Kindle, a Amazon hoje se tornou a principal candidata.

Fabio Sabba
Época, Ed. 497 - 26/11/2007

Erico Verissimo (1905 - 1975)


Eu queria fazer um livro não da vida como ela é, mas como eu queria que ela fosse. Um livro para a gente pegar e ler quando quisesse esquecer a vida real... Eu entendo a Arte como sendo uma errata da vida. A página tal, onde se lê isto, leia-se aquilo...
Erico Verissimo, em "Um Lugar ao Sol".

Erico Lopes Verissimo nasceu em Cruz Alta (RS) no dia 17 de dezembro de 1905, filho de Sebastião Verissimo da Fonseca e Abegahy Lopes Verissimo.

Em 1909, com menos de 4 anos, vítima de meningite, agravada por uma broncopneumonia, quase vem a falecer. Salva-se graças à interferência do Dr. Olinto de Oliveira, renomado pediatra, que veio de Porto Alegre especialmente para cuidar de seu problema.

Inicia seus estudos em 1912, freqüentando, simultaneamente, o Colégio Elementar Venâncio Aires, daquela cidade, e a Aula Mista Particular, da professora Margarida Pardelhas. Nas horas vagas vai o cinema Biógrafo Ideal ou vê passar o tempo na Farmácia Brasileira, de seu pai.

Aos 13 anos, lê autores nacionais — Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Joaquim Manoel de Macedo, Afrânio Peixoto e Afonso Arinos. Com tempo livre, tendo em vista o recesso escolar devido à gripe espanhola, dedica-se, também, aos autores estrangeiros, lendo Walter Scott, Tolstoi, Eça de Queirós, Émile Zola e Dostoievski.

Em 1920, vai estudar, em regime de internato, no Colégio Cruzeiro do Sul, de orientação protestante, localizado no bairro de Teresópolis, em Porto Alegre. Tem bom desempenho nas aulas de literatura, inglês, francês e no estudo da Bíblia.

Seus pais separam-se em dezembro de 1922. Vão — sua mãe, o irmão e a filha adotiva do casal, Maria, morar na casa da avó materna. Para ajudar no orçamento doméstico, torna-se balconista no armazém do tio Americano Lopes. Os tempos difíceis não o separam dos livros: lê Euclides da Cunha, faz traduções de trechos de escritores ingleses e franceses e começa a escrever, escondido, seus primeiros textos. Vai trabalhar no Banco Nacional do Comércio.

Continua devorando livros. Em 1923. Lê Monteiro Lobato, Oswald e Mário de Andrade. Incentivado pelo tio materno João Raymundo, dedica-se à leitura das obras de Stuart Mill, Nietzsche, Omar Khayyam, Ibsen, Verhaeren e Rabindranath Tagore.

No ano seguinte, a família da mãe muda-se para Porto Alegre, a fim de que seu irmão, Ênio, faça o ginásio no Colégio Cruzeiro do Sul. Infelizmente a mudança não dá certo. O autor, que havia conseguido um lugar na matriz do Banco do Comércio, tem problemas de saúde e perde o emprego. Após tratar-se, emprega-se numa seguradora mas, por problemas de relacionamento com seus superiores, passa por maus momentos. Morando num pequeno quarto de uma casa de cômodos e diante de tantos insucessos, a família resolve voltar a Cruz Alta.

Erico volta a trabalhar no Banco do Comércio, como chefe da Carteira de Descontos, em 1925. Toma gosto pela música lírica, que passa a ouvir na casa de seus tios Catarino e Maria Augusta. Seus primos, Adriana e Rafael, filhos do casal, seriam os primeiros a ler seus escritos.

Logo percebe que a vida de bancário não o satisfaz. Mesmo sem muita certeza de sucesso, aceita a proposta de Lotário Muller, amigo de seu pai, de tornar-se sócio da Pharmacia Central, naquela cidade, em 1926.

Em 1927, além dos afazeres de dono de botica, dá aulas particulares de literatura e inglês. Lê Oscar Wilde e Bernard Shaw. Começa a sedimentar seus conhecimentos da literatura mundial lendo, também, Anatole France, Katherine Mansfield, Margareth Kennedy, Francis James, Norman Douglas e muitos outros mais. Começa a namorar sua vizinha, Mafalda Halfen Volpe, de 15 anos.

O mensário “Cruz Alta em Revista” publica, em 1929, “Chico: um conto de Natal” que, por insistência do jornalista Prado Júnior, Erico havia consentido. O colega de boticário e escritor Manoelito de Ornellas envia ao editor da “Revista do Globo”, em Porto Alegre, os contos “Ladrão de gado” e “A tragédia dum homem gordo”, onde, aprovadas, foram publicadas.

Erico remete a De Souza Júnior, diretor do suplemento literário “Correio do Povo”, o conto “A lâmpada mágica”. Esse, segundo testemunhas, o publica sem ler, o que dá ao autor notoriedade no meio literário local.

Com a falência da farmácia, em 1930, o autor muda-se para Porto Alegre disposto a viver de seus escritos. Passa a conviver com escritores já renomados, como Mario Quintana, Augusto Meyer, Guilhermino César e outros. No final do ano é contratado para ocupar o cargo de secretário de redação da “Revista do Globo”, cargo que ocupa no início do ano seguinte.

Em 1931 casa-se, em Cruz Alta, com Mafalda Halfen Volpe. Lança sua primeira tradução, “O sineiro”, de Edgar Wallace, pela Seção Editora da Livraria do Globo. No mesmo ano traduz desse escritor “O círculo vermelho” e “A porta das sete chaves”. Colabora na página dominical dos jornais “Diário de Notícias” e “Correio do Povo”.

Em 1932, é promovido a Diretor da “Revista do Globo”, ocasião em que é convidado por Henrique Bertaso, gerente do departamento editorial da “Livraria do Globo”, a atuar naquela seção, indicando livros para tradução e publicação. Sua obra de estréia, “Fantoches”, uma coletânea de histórias em sua maior parte na forma de peças de teatro. Foram vendidos 400 exemplares dos 1.500 publicados. A sobra, um incêndio queimou.

Traduz, em 1933, “Contraponto”, de Aldous Huxley, que só seria editado em 1935. Seu primeiro romance, “Clarissa”, é lançado com tiragem de 7.000 exemplares.

Seu romance “Música ao longe” o faz ser agraciado com o Prêmio Machado de Assis, da Cia. Editora Nacional, em 1934. No ano seguinte, nasce sua filha Clarissa. Outro romance, “Caminhos cruzados”, recebe o Prêmio Fundação Graça Aranha. O autor admite a associação desse romance a “Contraponto”, de Aldo Huxley, o que faz com que seja mal recebido pela direita e atice a curiosidade e a vigilância do Departamento de Ordem Política e Social do Rio Grande do Sul, que chegou a chamá-lo a depor, sob a acusação de comunismo. São publicados, ainda nesse ano, “Música ao longe” e “A vida de Joana d’Arc”. Realiza sua primeira viagem ao Rio de Janeiro (RJ), onde faz contato com Jorge Amado, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Carlos Drummond de Andrade, José Lins do Rego e outros mais. Seu pai falece.

Em 1936, publica seu primeiro livro infantil, “As aventuras do avião vermelho”. Lança, também, “Um lugar ao sol”. Cria o programa de auditório para crianças, “Clube dos três porquinhos”, na Rádio Farroupilha, a pedido de Arnaldo Balvé. Dessa idéia surge a “Coleção Nanquinote”, com os livros “Os três porquinhos pobres”, “Rosa Maria no castelo encantado” e “Meu ABC”. Lança a revista “A novela”, que oferecia textos canônicos ao lado de outros, de puro entretenimento. Nasce seu filho Luis Fernando. É eleito presidente da Associação Rio-Grandense de Imprensa.

O DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, exige que o autor submeta previamente àquele órgão as histórias apresentadas no programa de rádio por ele criado, em 1937. Resistindo à censura prévia, encerra o programa. Outra reação ao nacionalismo ufanista da ditadura Vargas se faz sentir na versão para didática da história do Brasil em “As aventuras de Tibicuera”.

Um de seus maiores sucessos, “Olhai os lírios do campo”, é lançado em 1938. Publica, nesse mesmo ano, “O urso com música na barriga”, da “Coleção Nanquinote”.
Erico passa a dedicar a maior parte de seu tempo ao departamento editorial da Globo, em 1939. Em companhia de seus companheiros Henrique Barroso e Maurício Rosenblatt, é responsável pelo sucesso estrondoso de coleções como a Nobel” e da “Biblioteca dos Séculos”, nas quais eram encontrados traduções de textos de Virginia Wolf, Thomas Mann, Balzac e Proust. Mesmo assim, com todo esse trabalho, arranja tempo para lançar, ainda da série infantil, “A vida do elefante Basílio” e “Outra vez os três porquinhos”, e o livro de ficção científica “Viagem à aurora do mundo”.

Em 1940, lança “Saga”. Pronuncia conferências em São Paulo (SP). Traduz “Ratos e homens”, de John Steinbeck; “Adeus Mr. Chips” e “Não estamos sós”, de James Hilton; “Felicidade” e “O meu primeiro baile”, de Katherine Mansfield. Faz sua primeira noite de autógrafos na Livraria Saraiva.

Passa três meses nos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado americano, em 1941, proferindo conferências. As impressões dessa temporada estão em seu livro “Gato preto em campo de neve”. Ele e seu irmão Enio são testemunhas de um suicídio: uma mulher se atira do alto de um edifício quando conversavam na praça da Alfândega, em Porto Alegre. Esse acontecimento é aproveitado em seu livro “O resto é silêncio”.

A censura no estado novo continuava atenta. A Globo cria a Editora Meridiano, uma subsidiária secreta para lançar obras que pudessem desagradar ao governo. Essa editora publica “As mãos de meu filho”, reunião de contos e outros textos, em 1942.

No ano seguinte, publica “O resto é silêncio”, livro que merece críticas pesadas do clero local. Temendo que a ditadura Vargas viesse a causar-lhe danos e á sua família, aceita o convite para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia feito pelo Departamento de Estado americano. Muda-se para Berkley com toda a família.

O Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil, confere-lhe o título de doutor Honoris Causa, em 1944. É publicado o compêndio “Brazilian Literature: An Outline”, baseado em palestras e cursos ministrados durante sua estada na Califórnia. Esse livro foi publicado no Brasil, em 1955, com o título “Breve história da literatura brasileira”.

Passa o ano de 1945 fazendo conferências em diversos estados americanos. Retorna ao Brasil.

Em 1946, publica “A volta do gato preto”, sobre sua vida nos Estados Unidos.

Inicia, em 1947, a escrever “O tempo e o vento”. Previsto para ter um só volume, com aproximadamente 800 páginas, e ser escrito em três anos, acabou ultrapassando as 2.200 páginas, sob a forma de trilogia, consumindo quinze anos de trabalho. Traduz “Mas não se mata cavalo”, de Horace McCoy. Faz a primeira adaptação para o cinema de uma obra de sua autoria: “Mirad los lírios Del campo”, produção argentina dirigida por Ernesto Arancibia que tinha em seu elenco Mauricio Jouvet e Jose Olarra.

No ano seguinte, dedica-se a ordenar as anotações que vinha guardando há tempos e dar forma ao romance “O continente”. Traduz “Maquiavel e a dama”, de Somerset Maugham.

”O continente”, primeiro volume de “O tempo e o vento”, é finalmente publicado, em 1949, recebendo muitos elogios da crítica. Recebe o escritor franco-argelino Albert Camus, autor de “A peste”, em sua passagem por Porto Alegre.

No ano de 1951, é lançado o segundo livro da trilogia “O tempo e o vento”: “O retrato”. O trabalho não tão bem recebido pela crítica como o primeiro livro.

Assume, em 1953, a convite do governo brasileiro, em Washington, E.U.A., a direção do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, na Secretaria da Organização dos Estados Americanos, substituindo a Alceu Amoroso Lima.

No ano seguinte, é agraciado com o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Lança “Noite”, novela que é traduzida na Noruega, França, Estados Unidos e Inglaterra. Visita, face às funções assumidas junto à OEA, diversos países da América Latina, proferindo palestras e conferências.

De volta ao Brasil, em 1956, lança “Gente e bichos”, coleção de livros para crianças. Sua filha casa-se com David Jaffe e vai morar nos Estados Unidos. Dessa união nasceriam seus netos Michael, Paul e Eddie.

Em 1957, publica “México”, onde conta as impressões da viagem que fizera àquele país.

”O arquipélago”, terceiro livro da trilogia “O tempo e o vento”, começa a ser escrito em 1958. Tem um mal-estar ao discursar na abertura de um congresso em Porto Alegre. Consegue se refazer e disfarçar o ocorrido.

Acompanhado de sua mulher e do filho Luis Fernando, faz sua primeira viagem à Europa, em 1959. Expõe sua defesa à democracia em palestras proferidas em Portugal e entra em choque com a ditadura salazarista. Lança “O ataque”, que reunia três contos: “Sonata”, “Esquilos de outono” e “A ponte”, além de um capítulo inédito de “O arquipélago”. Passa uma temporada na casa de sua filha, em Washington.

Dedica-se, em 1960, a escrever “O arquipélago”.

Em 1961, sofre o primeiro infarto do miocárdio. Após dois meses de repouso absoluto, volta aos Estados Unidos com sua mulher. Saem os primeiros tomos de “O arquipélago”.

O terceiro tomo de “O Arquipélago” é publicado em 1962, concluindo o projeto de “O tempo e o vento”. O volume é considerado uma obra-prima. Visita a França, Itália e a Grécia.

A mãe do biografado falece em 1963.

Em 1964, seu filho Luis Fernando casa-se com Lúcia Helena Massa, no Rio de Janeiro, cidade para a qual ele se mudara em 1962. Dessa união nasceriam Fernanda, Mariana e Pedro. Insurge-se contra o golpe militar e dirige manifesto a seus leitores em defesa das instituições democráticas. Recebe o título de “Cidadão de Porto Alegre”, conferido pela Câmara de Vereadores daquela cidade.

Ganha o Prêmio Jabuti – Categoria “Romance”, da Câmara Brasileira de Livros, em 1965, com o livro “O senhor embaixador”. Volta aos Estados Unidos.

A convite do governo de Israel, visita aquele país em 1966. Vai aos Estados Unidos, mais uma vez, visitar seus familiares. Escreve “O prisioneiro”, que seria lançado em 1967. A Editora José Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, em cinco volumes, o conjunto de sua ficção completa. Desse conjunto faz parte uma pequena autobiografia do autor, sob o título “O escritor diante do espelho”.

”O tempo e o vento”, sob a direção de Dionísio Azevedo, com adaptação de Teixeira Filho, estréia na TV Excelsior, em 1967. No elenco, Carlos Zara, Geórgia Gomide e Walter Avancini.

É agraciado com o prêmio “Intelectual do ano” (Troféu Juca Pato”), em 1968, em concurso promovido pela “Folha de São Paulo” e pela “União Brasileira de Escritores”.

No ano seguinte, a casa onde Erico nascera, em Cruz Alta, é transformada em Museu Casa de Erico Verissimo. Lança “Israel em abril”.

Em 1971, é editado o livro “Incidente em Antares”.

Em 1972, comemorando os 40 anos de lançamento de seu primeiro livro, relança “Fantoches”, onde o autor acrescentou notas e desenhos de sua autoria.

Amplia sua autobiografia, publicada em 1966, fazendo surgir suas memórias — sob o título de “Solo de clarineta” — cujo primeiro volume é publicado em 1973.

O escritor falece subitamente no dia 28 de novembro de 1975, deixando inacabada a segunda parte do segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria “A hora do sétimo anjo”.

Carlos Drummond de Andrade faz homenagem ao amigo fazendo publicar o seguinte poema:

A falta de Erico Verissimo

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda - como tarda!
a clarear o mundo.

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.

Falta um solo de clarineta.


Postumamente, é lançado, em 1976, “Solo de clarineta – Memória 2”, organizada por Flávio Loureiro Chaves.

”Olhai os lírios do campo”, com adaptação de Geraldo Vietri e Wilson Aguiar Filho, é a novela apresentada pela TV Globo, em 1980, sob a direção de Herval Rossano. No elenco, Cláudio Marzo e Nívea Maria.

A esposa do autor, Mafalda, e a professora Maria da Glória Bordini, da PUC-RS, iniciam a organização dos documentos por ele deixados, em 1982.

É instalado, no programa de Pós-Graduação em Letras da PUC-RS — como projeto de pesquisa do CNpQ, o Acervo Literário de Erico Verissimo, em 1984. A coordenação fica a cargo da professora Maria da Glória Bordini.

No ano seguinte, a Rede Globo leva ao ar a série “O tempo e o vento”, adaptação de Doc Comparato e Regina Braga, direção de Paulo José, com Glória Pires, Armando Bogus, Tarcísio Meira e Lima Duarte, entre outros.

Em 1986, o Museu de Cruz Alta torna-se Fundação Erico Verissimo.

O índice de toda a obra de Erico é informatizado através do Projeto Integrado CNpQ – Fontes da Literatura Brasileira, que o disponibiliza para consulta, em 1991.

Em 1994, seu filho Luis Fernando assume a presidência da Associação Cultural Acervo Literário de Erico Verissimo, entidade encarregada de cuidar de toda a documentação literária do escritor. “Incidente em Antares”, adaptado por Charles Peixoto e Nelson Nadotti, com direção de Paulo José e constando de seu elenco Fernanda Montenegro,e Paulo Betti, é apresentada pela Rede Globo.

A UFRS homenageia o autor, pela passagem dos 90 anos de seu nascimento, com uma mostra documental no salão de sua Reitoria. A PUC-RS realiza seminário internacional, coordenado por seu Programa de Pós-Graduação em Letras, em 1995.

Organizada por Maria da Glória Bordini, publica-se, em 1997, “A liberdade de escrever”, coletânea de entrevistas do autor sobre política e literatura.

Em 2002, a Globo inicia a edição definitiva da obra completa do autor. É inaugurado o Centro Cultural Erico Verissimo, destinado à preservação do Acervo Literário e da memória literária do Rio Grande do Sul.

Morre Mafalda Verissimo, viúva do escritor, em 2003.

http://www.estado.rs.gov.br/erico/

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O que fazer com o décimo terceiro?

Chega o final do ano e, mais uma vez, o consumidor tem que pensar no que fazer com o décimo terceiro. A tendência natural, notadamente porque nessa época são ainda mais tentadoras as ofertas de produtos, é que ele gaste em compras. Se fizer isso, contudo, corre o risco de ter grandes dores de cabeça e de começar o ano novo com problemas, uma vez que em janeiro surgem diversas despesas extras como IPVA, IPTU, dentre outras. Isso significa que o gasto por impulso custará caro ao consumidor.

" O quadro piora muito quando o consumidor tem dívidas. Nessa circunstância, é recomendável que use o 13º para quitá-las ou reduzi-las "

O quadro piora muito quando o consumidor tem dívidas. Nessa circunstância, é recomendável que ele use o décimo terceiro para quitá-las ou para reduzi-las. Muito embora as lojas e os bancos não informem a possibilidade de liquidação antecipada dos débitos, trata-se de garantia prevista no art. 52, §2° do Código de Defesa do Consumidor.

Quem deve prestações tem o direito de antecipar o seu pagamento, abatendo os juros e encargos correspondentes. Se o consumidor está em dia com seus pagamentos, o mais conveniente é antecipar a quitação dos últimos a vencer, uma vez que, quanto maior a antecipação, maior será o desconto. Dessa forma o consumidor, se não conseguir pagar tudo, quitará mais cedo a sua dívida e mediante considerável desconto, tendo em vista que as taxas de juros praticadas costumam ser altas.

Se o consumidor tiver várias dívidas, com cartão de crédito, com o banco, com lojas etc, deve priorizar o pagamento daquelas que possuírem as taxas de juros mais altas. Geralmente, cartões de créditos e bancos praticam as taxas de juros maiores, que superam, por vezes, 12% ao mês. Débitos com cartões de crédito e bancos costumam ser impagáveis, tal é o montante de juros e encargos cobrados. Não se deve nunca deixar de pagá-las no prazo mas, se isso acontecer, sempre é recomendável uma negociação, porque essas instituições costumam reduzir bem os juros.

" O consumidor tem direito básico à informação e também pode, se quiser, antecipar o pagamento de suas dívidas "

Para quitar antecipadamente sua dívida, deve o consumidor procurar a loja, banco, financeira etc solicitando o desconto. Se o valor descontado for pequeno e não corresponder ao desconto dos juros, deve o consumidor solicitar informações a respeito. Havendo recusa por parte da instituição, recomenda-se que o consumidor faça a mesma solicitação por escrito, mediante carta com aviso de recebimento, a fim de que, se não for atendido, possa recorrer ao Procon ou ao Judiciário.

Infelizmente, os descontos praticados por algumas instituições não correspondem aos juros cobrados, o que configura prática comercial abusiva, que pode ser solucionada judicialmente. O Procon também pode auxiliar o consumidor no cálculo do desconto e, se esse não for correto, poderá buscar intermediar uma solução com a instituição.

O consumidor tem direito básico à informação e também pode, se quiser, antecipar o pagamento de suas dívidas. Está aí uma boa destinação para o décimo terceiro daqueles que possuem dívidas.

Arthur Rollo
Advogado especialista em Direito do Consumidor

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Onde encontrar a felicidade

Minha amiga Vicki Robin nos visitou há pouco, durante sua viagem ao Brasil, para lançar a versão em português, Dinheiro e Vida, de seu livro best-seller nos Estados Unidos (Your Money or Your Life). Um dos assuntos que sempre discutimos é a questão da felicidade. Todos queremos ser felizes. Pessoas mais felizes têm pressão mais baixa e pegam menos resfriados. Como demonstra a enxurrada de livros sobre a nova ciência chamada hedônica (o estudo daquilo que torna a vida prazerosa ou não), mais e mais especialistas estão tentando compreender o que é a felicidade e de onde ela vem.

Descobriram que os homens se sentem mais felizes por volta dos 65 anos, e as mulheres mais infelizes logo após os 45. E que as pessoas que convivem com adolescentes são as mais infelizes de todas!

A maioria de nós acha que ficar rico trará felicidade. Porém, como Vicki nos mostra, desde os anos 1950 o PIB americano triplicou. Em 1991, a família média americana possuía o dobro de carros que em 1950, dirigia 2,5 vezes mais longe, usava 21 vezes mais plástico e voava distâncias 25 vezes maiores. Os lares americanos estão tão abarrotados de coisas que o negócio de guarda de objetos dobrou nos últimos dez anos. Mas o curioso é que nada disso tornou os americanos mais felizes. Na realidade, o nível de felicidade declinou. E não apenas nos EUA. Um recente estudo apurou que a satisfação com a vida na China diminuiu entre 1994 e 2007, um período no qual a renda média real cresceu cerca de 250%.

Como reflete o autor americano Bill McKibben: “Se estamos assim tão ricos, por que será que estamos tão infelizes?”. Mesmo antes da crise imobiliária nos EUA, os americanos já experimentavam mais infelicidade. Uma pesquisa feita pela Universidade Emory verificou que apenas 17% dos americanos se consideram realmente felizes, enquanto 26% estão abatidos ou depressivos.

Dinheiro pode aumentar a felicidade temporariamente. Pesquisas têm demonstrado que comprar algo novo pode elevar os níveis de endorfina, o “hormônio do bem-estar”. Porém esse efeito não é duradouro. Depois de certo tempo, sempre queremos algo mais, ou então sentimos inveja daqueles mais ricos que nós. Nossa satisfação volta para o nível anterior assim que criamos expectativas maiores.

Diversos estudos mostram que a amizade contribui mais para o bem-estar que a renda

A despeito da aparentemente efêmera natureza da felicidade, existem meios para aumentar nossa satisfação a longo prazo. E eles nada têm a ver com dinheiro. Um deles, por exemplo, é ter mais tempo livre. Especialmente, mais tempo com amigos ou a família. Comprovou-se que esses aspectos produzem duradouros aumentos na nossa felicidade. Segundo o cientista político Robert Lane, da Universidade Yale, nos EUA, “as evidências mostram que o companheirismo contribui mais para o bem-estar do que a renda”. Talvez essa seja uma das razões por que os americanos são menos felizes hoje em dia. Durante as mesmas décadas em que sua riqueza inflou, o número de americanos que dizem não ter ninguém com quem discutir assuntos importantes praticamente triplicou.

Incontáveis estudos apontam para a mesma conclusão. Independentemente do nível de renda, as pessoas que têm “bons amigos e são próximos de suas famílias são mais felizes que aquelas que não têm”, constata o psicólogo Barry Schwartz, da Universidade de Swarthmore. Segundo Robert Putnam, cientista político de Harvard, filiar-se a um clube ou a uma sociedade de algum tipo corta pela metade o risco de morrer no ano seguinte.

Valorize suas amizades e as pessoas amadas, porque uma coisa é certa. Como diz o velho ditado, felicidade é algo que o dinheiro não consegue comprar.

Susan Andrews
Psicóloga e monja iogue. Autora do livro Stress a Seu Favor, ela coordena a ecovila Parque Ecológico Visão Futuro.
www.visaofuturo.org.br

65 años de "Casablanca"

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, en un momento de la película.

La película 'Casablanca', de cuyo estreno se cumplen este lunes 65 años, mantiene el mismo poder de fascinación que entonces, pero el filme se percibe de muy distinta manera y mientras hoy se ve, ante todo, como una historia romántica, en 1942 lo que más se apreció fue su mensaje político.

'Casablanca' ocupa el primer puesto en la lista Mayores historias de amor del cine elaborada por el Instituto Americano del Cine (Afi), por delante de películas cuyo argumento gira exclusivamente en torno a un romance como 'Love Story' o 'An Affair to remember' (estrenada en España como 'Tú y yo').

Pero 'Casablanca', como su nombre indica, es, en primer lugar, la historia de un microcosmos que reflejaba la situación creada por la Alemania nazi en Europa y en el norte de África. En esa ciudad del protectorado francés de Marruecos que dependía del régimen de Vichy, se dan cita refugiados de toda Europa que esperan, en una especie de limbo, un permiso para volar a Portugal y de allí a la tierra prometida: Estados Unidos.

La nacionalidad de los habitantes de ese microcosmos no es fruto de la casualidad: los refugiados y resistentes son de Centroeuropa, los franceses mantienen una actitud ambivalente de complicidad sin convicción con los nazis, los villanos son alemanes o italianos.

El protagonista americano, Rick, un ex combatiente de la Guerra Civil española convertido en cínico dueño de club nocturno interpretado por Humphrey Bogart, pasa de una actitud indiferente a implicarse en el conflicto y a ayudar a la causa aliada. La intervención de Rick permite que triunfe una operación de la resistencia y la historia es una metáfora de lo que EEUU podía lograr si abandonaba el aislacionismo.

Un filme "patriótico"

El proyecto de 'Casablanca' se empezó a gestar el 8 de diciembre de 1941 —al día siguiente del ataque japonés contra Pearl Harbor y el mismo día en que EEUU entró en guerra— cuando los autores de la obra de teatro en la que se basó luego el guión, enviaron una copia a los estudios Warner que, como el resto de la profesión en Hollywood, andaban buscando material para producir filmes patrióticos.

Tras visualizar 'Casablanca', la Oficina creada por el Gobierno para controlar que las películas "ayudaran a ganar la guerra", hizo un informe muy positivo que señalaba que el filme, entre otras cosas, mostraba a "Estados Unidos como un refugio para los oprimidos".

Asimismo subrayaba que el personaje de Rick, quien renuncia a la mujer amada para que esta siga al jefe de la resistencia y así favorecer la causa, "muestra que el deseo personal se debe subordinar al objetivo de derrotar el fascismo".

En el informe se valora también el que ese personaje sea presentado como alguien que en el pasado "luchó con las fuerzas leales en España... lo que ayudará al público (estadounidense) a entender que nuestra lucha no empezó con Pearl Harbor".

En los años de guerra Hollywood produjo más de 2.000 películas que servían más o menos de propaganda bélica, pero 'Casablanca' destacó desde un principio porque no es ni una historia de guerra, ni de espionaje propiamente dichas, y por la calidad de todos sus elementos desde la fotografía a los ocurrentes diálogos.

El guión de 'Casablanca' ha sido elegido el mejor de la historia del cine por la asociación de guionistas de Hollywood, y seis de sus réplicas figuran entre las 100 más logradas. Esto, habida cuenta que en la escritura del guión intervinieron al menos tres guionistas, amén del director Michael Curtiz y otros responsables, y que el filme se escribió prácticamente a la par que se rodaba, se considera un milagro.

Los secundarios, refugiados reales

El guión deja un amplio espacio a las historias paralelas y a los personajes secundarios que son un elemento esencial de la Casablanca poblada de refugiados y oportunistas que se pretende mostrar.

La calidad de esta representación debe mucho al hecho de que la mayoría de los intérpretes de papeles secundarios eran en la vida real actores alemanes o de países ocupados por el Tercer Reich que habían huido por ser judíos, homosexuales o contrarios al régimen. Algunos de estos refugiados tuvieron que hacer de nazis, como Conrad Veidt que encarna al mayor Strasser.
Curiosamente, no se hace mención específica en la película a las persecuciones contra los judíos, pese a que dos de los principales guionistas, los hermanos Julius y Philip Epstein, lo eran, como también muchos magnates de Hollywood.

Finalmente, la historia del triángulo amoroso formado por Rick, su ex amante Ilsa (Ingrid Bergman) y el marido de ésta y jefe de la resistencia checoslovaca, Victor Lazslo (Paul Henreid), ayudó a la popularidad de la película desde el principio, y ha ido ganando más y más importancia a medida que se han ido olvidando las circunstancias de 1942.

Ya en ese msimo año, la revista del sector 'Variety', aconsejaba a los productores encargados de explotar el filme que "tuvieran en mente que la película da mucho peso al tema amoroso". En las críticas actuales se pone el énfasis en este aspecto y el sacrificio de Rick no es visto ya tanto como el de alguien que pone los intereses colectivos por encima de los propios, sino como el de un hombre que se engrandece al tomar una determinación moral.

'Casablanca', escribía recientemente un crítico del 'Apollo Guide', es "una película para todo aquel que haya perdido un amor". Pero hace 65 años, lo más llamativo era la actualidad del mensaje y los productores adelantaron el estreno, previsto para la primavera de 1943, porque a principios de noviembre de 1942 la ciudad de Casablanca había caído en manos de los aliados y estaba en la mente de todos.

Agencia EFE

sábado, 24 de novembro de 2007

Diego Rivera (1886-1957)


La Era, 1904 (Museo-Casa de Diego Rivera, Guanajuato, Mexico)

Cinquenta anos depois da morte do pintor mexicano Diego Rivera (Guanajuato, 1886 – México, 1957), os enigmas daquele que foi o grande visionário, revolucionário e provocador da primeira metade do século XX no México compõem um quebra-cabeças que continua a alimentar o mito. No próximo mês de Dezembro irá abrir-se aos investigadores o arquivo do artista, zelosamente guardado durante quase cinco décadas pela sua amiga e mecenas Dolores Olmedo: 34.761 peças, entre cartas, fotografias, esboços, livros, desenhos, documentos, vestuário, recortes de imprensa, cartazes e objectos pessoais que ajudarão a reconstruir o universo de Diego e da sua terceira esposa, a também pintora Frida Kahlo, a sua relação tempestuosa e os seus vínculos políticos, sociais e culturais.

Doado ao povo do México por vontade de Diego, o arquivo permaneceu protegido, selado e fechado em caixotes, cómodas e na casa-de-banho da vivenda em que nasceu e morreu Frida, a Casa Azul de Coyoacán. Pouco antes de morrer, o pintor encarregou a sua salvaguarda a Dolores Olmedo e ordenou que não se fizesse público até que passassem 15 anos. No entanto, aquela decidiu não abrir a colecção até à sua própria morte, em 2002. O motivo, segundo Juan Coronel Rivera, crítico de arte e neto do artista, pode ter sido “o temor de que a correspondência de Diego acarretasse implicações políticas e de corrupção em assuntos não muito claros” aos seus contemporâneos. Depois de três anos de catalogação e coincidindo com a dupla celebração do centenário do nascimento de Frida (6 de Julho de 1907) e o 50º aniversário da morte de Rivera (24 de Novembro de 1957), foi apresentada, no passado dia 5 de Julho, a exposição “Os tesouros da Casa Azul”, uma pequena mostra do que significará o arquivo, disponível no final deste ano.

“É inesgotável, estamos na etapa inicial de investigação”, explica Ricardo Pérez Escamilla, chefe dos curadores de “Os Tesouros da Casa Azul”, que assinala como primeira grande descoberta o achado de dez stencils do primeiro fresco de Diego, “A criação” (1921). “Estamos diante do nascimento da pintura de frescos no México. Ninguém sabia que existiam”, acrescenta Pérez Escamilla. Um óleo inédito datado entre 1910 e 1911, que mostra a paisagem da Cañada de Contreras, assim com um grande número de desenhos e esboços também inéditos multiplicam o valor artístico do arquivo.


El arte de Diego Rivera constituyó uno de los pilares sobre los que habría de asentarse uno de los más pujantes movimientos de la pintura americana: el muralismo mexicano. Su arte depende en gran manera de un vocabulario surgido de una mezcla de Gauguin y la escultura azteca y maya. Realizó una obra vastísima como muralista, dibujante, ilustrador y escritor, desarrollando al mismo tiempo actividad política. Diego Rivera, en formas simplificadas y con vivo colorido, rescató bellamente el pasado precolombino, al igual que los momentos más significativos de la historia mexicana: la tierra, el campesino y el obrero; las costumbres, y el carácter popular. La aportación de la obra de Diego Rivera al arte mexicano moderno fue decisiva en murales y obras de caballete; fue un pintor revolucionario que buscaba llevar el arte al gran público, a la calle y a los edificios, manejando un lenguaje preciso y directo con un estilo realista, pleno de contenido social. Paralelamente a su esfuerzo creador, Diego Rivera desplegó actividad docente en su país, y reunió una magnífica colección de arte popular mexicano.

Primeros años.

Diego María Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez, mejor conocido como Diego Rivera, nació en la ciudad de Guanajuato, Guanajuato, el 8 de diciembre de 1886. El talento para la pintura fue desarrollándose en él a lo largo de sus años escolares. Cuando apenas contaba diez años, la familia de Diego se trasladó a la Ciudad de México. Allí, obtuvo una beca del gobierno para ingresar en la Academia de Bellas Artes de San Carlos, en la que permaneció hasta su expulsión en 1902, por haber participado en las revueltas estudiantiles de ese año. Las influencias que recibió en su estancia en la capital fueron variadas, y van desde las de su primer maestro, discípulo de Ingres, hasta las de José Guadalupe Posada, grabador en cuyo taller trabajó Diego y cuya influencia sería decisiva en su posterior desarrollo artístico.

Primera exposición y viaje a Europa.

Cinco años más tarde, Diego realizó su primera exposición, que fue un gran éxito entre el público; esto le valió una beca del gobierno de Veracruz para proseguir su formación pictórica en España, en la escuela de San Fernando de Madrid. Desde allí realizó diversos viajes por Francia, Bélgica, Holanda y Gran Bretaña, entre 1908 y 1910, hasta establecerse finalmente en París el año de 1911. Durante este viaje fue influenciado por el post-impresionismo, principalmente por el arte de Paul Cézanne, lo que lo movió a experimentar con el cubismo y otros novísimos estilos, en cuyo lenguaje Diego se desenvolvió con soltura, creando originales obras llenas de armonía. En el año de 1910 también exhibió cuarenta de sus trabajos en México, con los que, pese a no haber desarrollado plenamente las posibilidades de su estilo vigoroso y enfático, obtuvo una favorable acogida del público.

Diego Rivera, muralista.

Siempre fue la ambición de Rivera expresar en forma plástica los sucesos, ideas y esperanzas de la Revolución Mexicana. Para hallar un medio adecuado a esta expresión tuvo que experimentar con la técnica del fresco. Esta técnica consiste en pintar directamente sobre la argamasa (mezcla de cal y arena) mojada, para que el color penetre y, al secarse aquélla, lo fije. Nuevamente en Europa, Rivera expuso en Madrid y en París. En 1920 fue a Italia a estudiar los frescos del Renacimiento que allí se conservan, e investigó la técnica mural del pintor renacentista italiano Giotto, cuya influencia lo hizo apartarse del movimiento cubista, para indagar con mayor profundidad en las escenas sociales de su entorno. Antes de embarcarse, Diego tenía en cartera centenares de bocetos para ejecutarlos a su regreso.De las experiencias reunidas en este viaje, Rivera dedujo un estilo narrativo, lineal y de color aplicado en tintas planas, que utilizó a su regreso a México, en 1921, tras la elección de Álvaro Obregón como presidente. Una vez en su país, fundó junto con José Clemente Orozco y David Alfaro Siqueiros un movimiento pictórico al que se le dio el nombre de escuela mexicana de pintura. Trabajó por entonces en la elaboración de frescos para la Escuela Nacional Preparatoria de la Ciudad de México y para la Secretaría de Educación. A este periodo pertenece una de sus grandes obras, "La tierra fecunda", realizada para la Escuela Nacional de Agricultura de Chapingo. Asimismo, y al igual que Orozco, Rivera se interesó vivamente en la política y en sus composiciones murales, históricas o simbólicas, resuena la voz de la prédica social-revolucionaria y de la resistencia a la opresión extranjera. Otros de los grandes murales que pueden apreciarse hoy en el país son los del Palacio de Cortés de Cuernavaca, y los del Palacio Nacional, en la Ciudad de México, por mencionar sólo algunos.Los murales que Rivera pintó en México lo hicieron tan famoso que se convirtió, no sólo en jefe de escuela pictórica, sino también en líder político. Sus actividades en este último orden lo han hecho centro de no pocas polémicas y peripecias, como, por ejemplo, cuando se negó el Hotel del Prado, en la Ciudad de México, a exhibir un gran fresco suyo en que aparecían las palabras "Dios no existe", que Diego, a su vez, se negaba a dejar borrar, hasta que por fin cedió al regresar en 1956 de un viaje a Rusia realizado por motivos de salud. Diego Rivera fue miembro del Partido Comunista de 1923 a 1930 y de 1954 hasta su muerte.

Murales en Estados Unidos.

La expansión de su fama llevó a Rivera durante la década de 1930 a exponer su pintura en Nueva York, y recibió el encargo de la realización de grandes murales en el Instituto de Arte de Detroit y en el Rockefeller Center de N. York, donde su fresco "Hombre en la encrucijada" recibió numerosas críticas por la semejanza de los rasgos de una de sus figuras con Lenin. El mural fue destruido por el centro y sustituido por otro de Brangwyn, pero Diego luego lo reprodujo para el Palacio de Bellas Artes de México. En sus numerosos encargos para decorar edificios públicos, Rivera utilizó el buon fresco, técnica que puso de nuevo en boga, al igual que el empleo de los antiguos métodos encáusticos.
Últimos años.

Desde finales de la década de 1930 se dedicó a la pintura paisjística y de retratos. Desarrolló en sus últimas pinturas un estilo indigenista y social de gran atractivo popular. Su más ambicioso y gigantesco proyecto, un mural épico sobre la historia de México para el Palacio Nacional, quedó inconcluso a su muerte, acaecida en la Ciudad de México el 25 de noviembre de 1957.


http://www.diegorivera.com/index.php
http://www.riveramural.com/

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O grande mestre

Hermógenes em sua academia, sob o símbolo do Om, palavra sagrada do hinduísmo. Aos 86 anos, ele dá aulas, medita e escreve

Na rua Uruguaiana, um dos formigueiros humanos no centro do Rio de Janeiro, a gritaria do mercado popular, somada ao barulho dos carros e ônibus, é capaz de estressar qualquer transeunte. Quem passa por ali dificilmente acreditaria que há 45 anos, na cobertura do prédio de número 118, existe um lugar onde impera o silêncio. Lá, o respirar é lento e profundo. Numa ampla sala de chão coberto por esteiras de vime, José Hermógenes de Andrade Filho, de 86 anos, presta atenção à postura de seus alunos.

Mais conhecido como professor Hermógenes, o precursor da ioga no Brasil repete incessantemente, como um mantra: “Respirem, respirem”. Cerca de dez homens e mulheres, todos na terceira idade como ele, obedecem e capricham nas posições simples, que relaxam, ativam a circulação e irrigam o cérebro. Todos estão ali há pelo menos dez anos. Dona Diamantina, viúva, de 81, freqüenta suas aulas há 30 anos. Curou a coluna. Seu Benjamin, de 80, livrou-se da depressão. No fim, 15 minutos de piadas de salão encerram a aula. “É hora da risoterapia”, diz o professor, que se esmera em imitar sotaque português e voz de papagaio.

A aula das tardes de sexta-feira é a única que o professor Hermógenes comanda hoje. O tempo dele divide-se entre algumas viagens de trabalho – palestras e visitas a projetos sociais pelo Brasil –, caminhadas pelo Aterro do Flamengo, onde mora, e muito descanso e leitura, em casa. “Acordo às 6, faço uma refeição leve, caminho meia hora, tomo banho, repouso um pouco. Depois do almoço, leio e faço pequenas atividades. No momento, termino o prefácio de um livro. Estão me pedindo muitos prefácios”, afirma Hermógenes, que já publicou 21 livros sobre ioga. O primeiro, Autoperfeição com Hatha Yoga, um marco no Brasil, chegará à 50a edição no ano que vem e vai ganhar uma reedição especial.

“Janto cedo e me deito cedo, depois de passar os olhos nos telejornais”, diz o professor. Nos fins de semana, almoça com toda a família. E quando medita? Quando faz ioga? “Estou fazendo neste momento”, afirma. Simples assim. O professor Hermógenes é uma figura desconcertante. Com apenas 1,60 metro e 57 quilos, dá um abraço de estalar a coluna, mesmo em quem acabou de conhecer. E não abre mão desse contato físico. “Minha religião é o amor”, afirma.

A história de amor entre a ioga e o professor Hermógenes – que completa 50 anos – é semelhante à de muitas pessoas: um encontro patrocinado pela dor ou pela doença. A grande diferença é que, em 1957, ninguém conhecia essa filosofia. Capitão do Exército, de 35 anos, casado, duas filhas, Hermógenes descobriu-se tuberculoso. Nascido em Natal, a essa altura já morava no Rio. Foi obrigado a afastar-se da vida militar, tornou-se ocioso, engordou. Passou a ter uma vida “pobre em esperança e vigor”, como ele mesmo define.

Num raro passeio ao centro da capital carioca, entrou na livraria Leonardo da Vinci, na Avenida Rio Branco. Em uma das prateleiras, chamou-lhe a atenção um livro em inglês sobre o poder curativo da ioga. Era teórico, e serviu para acender sua curiosidade sobre o tema. Menos de um mês depois, queria mais. Voltou e encontrou outro, em francês, com exercícios. Praticava no chão do banheiro, gelado e impróprio para quem acabara de sair da tuberculose. Fazia os exercícios escondido da mulher – estava proibido pelos médicos de pegar sol, tomar banho de mar, andar descalço e manter qualquer atividade física. “Eu ficava ali todos os dias por uma hora, praticando. Foi assim quase um ano, e então minha vida mudou. Emagreci, esculpi o corpo, acabaram-se as gripes e a insônia”, afirma.

O primeiro livro do mestre nasceu quase três anos depois. Estudou o que pôde em publicações estrangeiras, consultou médicos e psiquiatras. O manual de ioga em língua portuguesa causou impacto há meio século. Foi chamado a dar palestras e entrevistas. Passou a receber cartas de pessoas que insistiam para que ele desse aulas. Como precisava de uma renda para sustentar a família, em 1962 abriu sua academia, que funciona até hoje sem alarde ou propaganda. Acredita que já passaram por ali mais de 2 mil alunos. Muitos se tornaram professores e ajudaram a espalhar a filosofia pelo Brasil. “O professor sempre difundiu os princípios filosóficos mais nobres da ioga e o faz até hoje, quando há tantas escolas que a reduzem a um mero exercício físico ou atividade comercial”, diz Marco Taccolini, um dos organizadores do recém-lançado Livro de Ouro do Yoga, da Ediouro – cujo prefácio é de Hermógenes.

A atual banalização da ioga é assunto que, se não chega a irritar o professor, altera ligeiramente o tom de sua voz, sempre suave. “A culpa é da Madonna”, afirma. Ele acredita que desde que a milenar filosofia, nascida na Índia, caiu no gosto dos modernos, houve uma difusão superficial do que ela realmente é. “Dão ênfase ao que a ioga faz com o corpo, esquecendo-se do autoconhecimento e da integração do ser humano com o universo. É o que diz o nome ioga: união. E ainda paz, verdade, s retidão, amor e não-violência”, afirma. São coisas da Kali Yuga, diz o professor. Kali representa o escuro, a treva, e Yuga a era, o período. Portanto, para ele, vivemos tempos de uma sociedade desestruturada, de violência e intolerância. De muita informação e pouca educação.

Esse caminho de uma ioga mais espiritual está refletido em sua obra literária. Em defesa de uma era mais iluminada, o mestre iogue ainda percorre o país – longe de holofotes – divulgando sua filosofia. Vai a escolas de menores infratores, a hospitais e penitenciárias. Recebe cartas de pessoas que garantem ter sido transformadas por seus livros. Nesses lugares, tenta afastar as pessoas do que ele chama de “normose” – definição que ele dá à situação de quem vive de forma padronizada, ajustado por uma sociedade desequilibrada. “O normótico vive uma vida mundana, sem comprometer-se com seu interior, que é superior a tudo. É aí que surgem as doenças do corpo e da alma”, afirma. Hoje, o professor não faz mais as posições difíceis que sempre surpreendeu alunos e platéias. Sente saudade da Sirshasana, postura inversa sobre a cabeça, sua preferida.

Como seu sucessor, ele apresenta João Thiago Leão, de 28 anos, um dos seis netos homens. Há ainda três bisnetos. Foi praticamente o único da família a levar a ioga a sério. É ele quem hoje toca a academia. “Uma de minhas filhas pratica ioga agora, depois de velha. A outra encantou-se com o catolicismo”, diz. Não há qualquer crítica no comentário. O ecumenismo é parte da vida de Hermógenes. Em sua sala, convivem imagens de São Francisco de Assis, Jesus Cristo e Nossa Senhora, estátuas de Buda, um desenho de Madre Teresa de Calcutá, cristais, anjos e fotografias do guru indiano Sai Baba, a quem o professor visita quase todos os anos, na Índia. Na sala, há ainda sinos de vento, miniaturas dos profetas de pedra, retratos dos netos, um cabideiro com uma coleção de bonés e uma imensa estante de livros de ioga, filosofia, psicologia, medicina.

“A vida de Hermógenes é um apostolado, e ele é um arquipélago de conhecimentos”, diz Divaldo Franco, o médium brasileiro mais famoso no mundo. O depoimento está no documentário Deus Me Livre de Ser Normal, do fotógrafo Marcelo Buainain, sobre a vida do professor. O filme traz falas de alunos e amigos como Chico Xavier, Elba Ramalho e o escritor Pierre Weil. Amigo de longa data, o teólogo Leonardo Boff diz que Hermógenes é “um dos anjos bons do Brasil”. Os dois se conheceram em 1971, período em que Boff lançava Jesus Cristo Libertador, fundando a Teologia da Libertação. De lá para cá, estiveram juntos em palestras pelo país. “Jamais pratiquei ioga, mas temos em comum a busca de um Deus interior”, diz o teólogo.

Caçula dos 20 filhos de um funcionário público e uma costureira, Hermógenes não é um homem rico. Vive com algum conforto, mas com simplicidade. Casou-se duas vezes. A primeira com Yone, mãe de seus filhos, já morta. A segunda, Maria, morreu em 2002. Com a última fez suas primeiras viagens à Índia. Perdeu as contas de quantas vezes foi até lá. Mora sozinho, sob os cuidados da empregada, Sebastiana. A cinema ou teatro, não vai há tempos. Orgulha-se de já ter escrito quatro livros no computador. Tem se dedicado à poesia. É vegetariano e raramente come doces. Jamais aprendeu a dirigir. Diz que anda sozinho, sempre de táxi. “É uma medida de não-violência”, afirma, para depois confessar a verdade. “Uma vez tentei, mas cometi barbaridades.” O professor é irônico. Cultua o riso. Diz que já deixou palestras formais para contar piadas ao público.

“O que mais acho bonito no meu avô é que ele vive o que sempre pregou. Faz o que sempre ensinou: a prática do bem”, diz o neto e discípulo João Thiago, referindo-se à adoração que as pessoas têm pelo avô. Hermógenes acha que é pouco. Afirma que provavelmente vai morrer sem alcançar sua meta. “Sou egoísta e ainda tenho orgulho de convencer as pessoas. Sinto prazer no aplauso. Não deveria mais sentir isso”, afirma. A idade avança e Hermógenes diz não sentir medo da morte: “Dão ênfase ao que a ioga faz com o corpo, esquecendo-se do autoconhecimento. Um dia a idade vem, trazendo o envelhecimento deste corpo, o sofrimento. Quando a vida se torna desagradável, a morte é como a sineta da escola. Vai começar o recreio!”.

Martha Mendonça
Época, Ed. 496 - 19/11/2007

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Dia da Bandeira


O Dia da Bandeira foi criado no ano de 1889, através do decreto lei número 4, em homenagem a este símbolo máximo da pátria. Como nossa bandeira foi instituída quatro dias após a Proclamação da República, comemoramos em 19 de novembro o Dia da Bandeira. Nesta data ocorrem, no Brasil, diversos eventos e comemorações cívicas nas escolas, órgãos governamentais, clubes e outros locais públicos. É o momento de lembrarmos e homenagearmos o símbolo que representa nossa pátria. Essas comemorações ocorrem, geralmente, acompanhadas do Hino à Bandeira. Esse lindo hino ressalta a beleza e explica o significado da bandeira nacional.

A Bandeira Nacional é hasteada de manhã e recolhida na parte da tarde. Ela não pode ficar exposta à noite, a não ser que esteja bem iluminada. É obrigatório o seu hasteamento em órgãos públicos (escolas, ministérios, secretarias de Governo, repartições públicas) em dias de festa ou de luto nacional. Nos edifícios do Governo, ela é hasteada todos os dias. Também é exposta em situações em que o Brasil é representado diante de outros países como, por exemplo, em congressos internacionais e encontros de governos.

As quatro cores da Bandeira Nacional representam simbolicamente as famílias reais de que descende D. Pedro I, idealizador da Bandeira do Império. Com o passar do tempo, essa informação foi sendo substituída por uma adaptação feita pelo povo brasileiro. Dentro deste contexto, o verde passou a representar as matas, o amarelo as riquezas do Brasil, o azul o seu céu e o branco a paz que deve reinar no Brasil.

Curiosidades sobre a bandeira brasileira:

- Quando várias bandeiras são hasteadas em nosso país, a brasileira deve ser a primeira a chegar no topo do mastro e a última a descer. - Quando uma bandeira brasileira fica velha, suja ou rasgada, deve ser imediatamente substituída por uma nova. A bandeira velha deve ser recolhida a uma unidade militar, que providenciará a queima da mesma no dia 19 de novembro. - Caso a bandeira fique hasteada no período noturno, ela deve ser iluminada.


HINO À BANDEIRA
(Letra de Olavo Bilac - Música de Francisco Braga)

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!


domingo, 18 de novembro de 2007

Trecho de "A volta do idiota"


Autores: Plinio Apuleyo Mendoza; Carlos Alberto Montaner; Alvaro Vargas Llosa
Editora: Odisseia

O novo líder dos idiotas

Chávez será visto pelo nosso jovem idiota como o sucessor de Castro, numa versão mais ousada e folclórica. É natural, pois no presidente venezuelano Hugo Chávez Frías, todos os ingredientes que tomam parte da formação do nosso personagem se juntam: os vestígios arqueológicos do marxismo extraídos de cartilhas e folhetos, o nacionalismo de hino e bandeira, o antiimperialismo belicoso e o populismo clássico que, em nome agora de uma suposta revolução bolivariana, oferecem milagres, estabelecendo o clássico divórcio ente a palavra e os fatos, entre discurso e realidade. O novo idiota, tal como o velho - não esqueçamos - é um comprador de milagres. O sonho, já o dissemos, é para ele uma fuga para frustrações e desejos reprimidos. A ideologia lhe permite achar falsas explicações e falsas saídas para a realidade. Já se disse que a história da América hispânica é a de cinco séculos de constantes mentiras. Quando algumas caem por terra de maneira visível, outras logo vêm substituí-las.

Dessas últimas, Chávez é responsável por umas quantas que hoje percorrem o continente de norte a sul, para júbilo de idiotas de todas as idades. A mais extravagante delas sustenta que, embora seja verdade que o chamado socialismo real acabou na Europa quando o Muro de Berlim foi demolido, agora existe, do outro lado do Atlântico, um novo, mais promissor: o socialismo do século XXI. Ninguém, nem mesmo Chávez, conseguiu explicar no que consiste, mas para os nossos amigos ele soa bem como elemento gerador de sonhos e esperanças. Dois princípios novos intervêm na sua construção. Um de caráter étnico: a reivindicação indigenista hoje representada, melhor do que ninguém, por Evo Morales na Bolívia, com prolongamentos no Peru e no Equador. O outro, de ordem institucional, procura redesenhar o papel dos militares.

A reivindicação indigenista é uma máscara com que as organizações de extrema esquerda, reunidas em 1990 no primeiro Foro de São Paulo, por iniciativa de Castro, resolveram cobrir na América Latina a alternativa marxista-leninista, com a finalidade de torná-la mais viável e com maior poder de penetração um ano após a queda do Muro de Berlim.

Apoiada por Chávez, foi uma estratégia mais bem sucedida do que todas as empregadas pelo castrismo em outras épocas ou a de que ainda se vale a guerrilha na Colômbia. Primeiro porque, efetivamente, consegue unir em torno de um caudilho a população indígena, autóctone, de um país, majoritária na Bolívia e ainda bastante significativa no Peru e no Equador. Segundo porque, agrupando num único partido os setores mais pobres e atendendo reivindicações não só econômicas mas também culturais (língua, costumes, ritos) de índios e de cholos, consegue-se que os incorrigíveis amigos do nosso personagem na Europa não enxerguem o lobo sob a pele do cordeiro e só percebam a irrupção no poder de uma maioria eternamente despossuída e pela primeira vez dona do seu destino. A realidade é outra: divide-se o país, cria-se um racismo no sentido oposto e impõe-se um regime que reproduz os desvarios ruinosos de Castro com nacionalizações, expropriações e quebra da iniciativa privada.

A segunda variável nos tradicionais pressupostos ideológicos do perfeito idiota, tal como revelado no nosso Manual, deve-se igualmente a Chávez, e tem a ver com o papel do Exército. Nos anos 1960, os militares latino-americanos eram vistos pelos devotos da revolução cubana como "gorilas" aliados dos latifundiários e das oligarquias, de tal modo que a luta armada era encarada pelos teólogos da Libertação e outros ideólogos muito simpáticos ao nosso personagem como uma forma necessária de insurgência e libertação dos povos. Hoje uma opção diferente está na cabeça de todos eles. Seja por suas raízes sociais, seja por catequização ideológica ou por privilégios e prebendas, os militares podem se transformar, como na Líbia, em Cuba e daqui a pouco na própria Venezuela, em sócios privilegiados das mudanças propostas. Sonhos? Talvez. De qualquer modo, a experiência está em curso, e o próprio Chávez chegou a propor, para inquietação e risos ao sul do continente, a criação de um único exército sul-americano. Ele deve achar que se trata da consecução de um sonho de Bolívar.

Certamente a apropriação do nome de Bolívar para uma suposta causa revolucionária, baseada em reivindicações étnicas e no confronto de classes, é a mais recente mentira que desperta o fervor do perfeito idiota latino-americano. Ele não sabe, ou não quer, recordar que, se houve algo a que se opôs o Libertador Simon Bolívar, como se explicará no capítulo dedicado a Chávez, foi aquilo a que deu o nome de "guerra de cores" (raças) e a luta de classes promovida pelo espanhol José Boves, que esteve a ponto de romper a unidade da Venezuela.

O fator Chávez

Nisso surgiu Hugo Chávez. Em fins de 1998 o tenente-coronel foi eleito presidente dos venezuelanos e não demorou para estreitar as melhores relações comerciais com Castro. Em seguida começou uma espécie de colaboração entre os dois países baseada num intercâmbio de bens por serviços, idealizada para beneficiar economicamente Cuba e politicamente um governante venezuelano necessitado de galvanizar sua clientela política dentro da velha tradição populista latino-americana. Castro fornecia médicos e pessoal da área de sanitarismo para trabalhar nas favelas das cidades, e em troca recebia petróleo, comida e materiais de construção.

As relações entre Castro e Chávez, entretanto, eram mais profundas do que pareciam na superfície. O venezuelano viera a Cuba por convite expresso de Fidel Castro em dezembro de 1994, depois de ser anistiado pelo presidente Rafael Caldera em seguida a sua tentativa sangrenta de golpe de estado em 1992, para discursar na Universidade de Havana. Naquele momento Chávez era um confuso ex-militar, sob a influência ideológica de Norberto Ceresole, um argentino fascista saído das hostes peronistas, partidário do governo líbio, no qual um caudilho militar árabe se valia do exército como correia de transmissão para sua autoridade sem limites. Ceresole, morto em 2003 aos sessenta anos, foi quem convenceu o tenente-coronel golpista da sabedoria instintiva concentrada n'O livro verde, pomposamente chamada por Chávez de "a terceira teoria universal", uma mescla de sofismas, socialismo, militarismo e islã.

Mas em abril de 2002 ocorreu algo que modificou qualitativamente os vínculos entre Castro e Chávez: o estranho golpe militar que manteve o presidente venezuelano prisioneiro durante 48 horas. Nesse breve período, durante o qual Castro se movimentou freneticamente nos bastidores para devolver o poder a seu amigo e benfeitor, Chávez entendeu que precisava de algo mais do que apenas médicos por parte de Havana para continuar como inquilino em Miraflores: precisava de toda a engenharia repressiva, do aparato de inteligência e das técnicas propagandísticas que lhe permitissem conservar-se no poder sem medo de que seus inimigos o tirassem da residência governamental. Precisava, em suma, da técnica para se manter no governo que Castro, por seu turno, aprendera com os soviéticos desde os anos 1960-1970, quando milhares de assessores procedentes da URSS e de outros países do Leste reformaram totalmente a burocracia cubana até torná-la absolutamente imbatível pelos inimigos. O leninismo, afinal, era isso: um punho implacável firmemente fechado, um férreo procedimento de governo.

Após reaver milagrosamente o poder - seus inimigos, totalmente desnorteados, lhe restituíram de graça a presidência -, Chávez, que compartilhava com Castro uma personalidade messiânica e narcisista, começou a se reunir com freqüência com o cubano, para reforçarem mutuamente as convicções mais delirantes, dando início a um processo de simbiose entre os dois governos que se fundamentava numa premissa básica: a "revolução", tanto a venezuelana quanto a cubana, não poderia se salvar num mundo hostil dominado pelos Estados Unidos e pelas idéias "neoliberais". Como a Rússia em 1917, que precisou fazer frente ao mesmo dilema - os perigos do "socialismo" num único país -, eles chegaram à conclusão de que era necessário criar uma rede internacional de estados coletivistas e anti-imperialistas capaz de enfrentar os "agressivos regimes ocidentais" liderados por Washington.

Esse ponto de partida levou Castro e Chávez a formularem uma nova concepção do destino de ambas as nações. O marxismo-leninismo, que sofrera um golpe duríssimo com a traição dos soviéticos e o desaparecimento do comunismo em quase toda a Europa, estava em fase de franca recuperação. Claro que já não caberiam mais à Rússia ou à decadente Europa a tarefa e a glória de erguer a bandeira da luta revolucionária. Cuba e Venezuela, com os punhos erguidos e entoando uma versão salseira da Internacional, estavam chamadas a substituir a Moscou pré-Gorbachev como farol da humanidade na luta contra o capitalismo e em favor dos pobres do mundo. E essa tarefa, naturalmente, começava pela América Latina, âmbito natural de expansão e de onde o aguerrido eixo Havana-Caracas avançaria rumo ao aniquilamento dos inimigos.

Desta vez, porém, a estratégia de luta seria bem diferente da imaginada em seu tempo por Marx e mais tarde aperfeiçoada por Lênin. Os humilhados e empobrecidos trabalhadores, movidos pela consciência de classe e pela certeza de serem os grandes motores da história, não mais paralisariam a economia com uma greve definitiva que poria fim ao Estado burguês. Tampouco se reeditaria a epopéia de Mao ou de Castro, em que uma guerrilha rural chega ao poder por meio de uma insurreição que avança sobre as cidades. O método que se haveria de empregar para conseguir esse mesmo objetivo seria o praticado por Chávez em fins de 1998: eleições democráticas, que resultariam numa nova Constituição, com o que o caudilho elevado a presidente iria desmantelando a estrutura republicana, com seu sistema de equilíbrios e contrapesos, até ter o controle de todas as instituições. Junto a ele, escoltando todo o processo, um exército de médicos e pessoal sanitarista de Cuba, pagos com os petrodólares venezuelanos, se dedicaria a prestar serviços gratuitos de saúde nos bairros mais pobres com a finalidade de tentar demonstrar o que era o "socialismo do século XXI": compaixão pelos desamparados.

Castro e Chávez, evidentemente, tinham tudo bem pensado: primeiro, a suposta necessidade de proteger a sobrevivência de seus governos dentro de um campo coletivista autoritário; segundo, uma visão messiânica de si próprios e de seus países, novo substituto da URSS, que os induzia a dedicar suas vidas e seus esforços à redenção da humanidade consoante os esquemas do socialismo; terceiro, uma metodologia, posta à prova na Venezuela, para levar avante a causa sagrada. Bem cedo, em fins de 2005, Castro e Chávez conseguiriam na Bolívia a sua primeira vitória, com a eleição de Evo Morales, embora, pouco depois, em junho de 2006, o triunfo de Alan García no Peru, derrotando Ollanta Humala, viesse estragar sua festa. Enquanto isso, a infatigável tribo dos idiotas, habilmente orquestrada pelos serviços cubanos e os conhecidos Institutos de Amizade com os Povos, aplaudia com entusiasmo delirante. Sobre a mesa de pôquer se revelava uma trinca de ases: Fidel, Hugo e Evo - os três gloriosos loucos-de-pedra da revolução definitiva.
 
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